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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

QUANDO UM POEMA PODE SER A ÚLTIMA SALVAÇÃO



Hoje ouvi nossa canção.
Aquela que brindava à vida
Que aludia a sonhos
Fazendo inchar o coração

Hoje vi o nosso canto.
Aquele lá da praça
De onde vi
Me perder em seus encantos

Hoje senti o cheiro.
Quase em desespero
Fugindo em devaneio

Hoje chorei copiosamente.
Pela saudade do que nunca tive
Meu amor foi embora e não detive

E com lágrimas nos olhos viu sua vida passar por aquele poema como um filme passa pulando na nossa frente. Uma mistura de tudo quanto é amargura visitou seu coração fazendo o fel palatar os agouros e a saudade apunhalar suas lembranças.
A pergunta que não calava seus ouvidos: por que não lutou por ela?
Virando a página daquela folha, molhada pelas lágrimas que não lhe cabiam nos olhos, notou um endereço propositalmente indicado com uma seta.
- Desde nosso último encontro quando fiquei sabendo da gravidez e do risco que corria por ela ter um pai austero e ignorante, achei mesmo que o melhor seria eles mudarem. Não havia me negado a casar e “assumir“ ( que termo mais piegas) meu filho. Nosso amor era lindo e forte. Acho que era tudo que queríamos, apesar de termos feito tudo errado.
- Agora é isso! Eu aqui, do alto no meu apartamento, com o que sobrou do nosso amor e você... sabe lá onde estará.
- Ah, se eu tivesse uma chance?!
Enquanto pensava olhando o infinito a folha fora tirada de sua mão de forma furtiva por uma rajada de vento, fazendo flutuar rumo à avenida movimentada.
- Aí, caramba! E agora? Se descer correndo não vejo onde caiu. Se ficar, posso perder a única coisa que parece me levar ao encontro dela. E a agonia tomou seu coração.
- Vai folhinha. Não me abandone agora. Caia num lugar onde eu posse te ver daqui.
- Ai!..aí não!.. se cair no meio da avenida nunca mais...uhh!!....shiii..ai...ai..pronto!
- Aquilo parece um ônibus, mas vou marcar o número que está no teto para não perdê-lo e descer.
Com velocidade do triatleta que não era, desceu pelas escadas pisando três degraus de cada vez, já que o elevador estava descendo e demoraria para voltar. Ao chegar na portaria, pulou a roleta e se jogou na rua. No mundo de pedra no qual parecia que todos usavam apenas ônibus. Somente naquele instante foi que percebeu que a numeração do teto só daria para ver do apartamento, mas lembrou tratar-se da cor azul, olhando para os dois lados saiu correndo no meio da rua em comprovada e insana loucura.
Corria ao sons de buzinas e freadas bruscas acompanhadas de palavrões aos quais nem dava bola. Chegou a hora de lutar por aquilo que acreditava. Sabia que não seria fácil controlar a ira do pai da moça, mas pior seria sofrer essa despedida descabida e covarde imposta como única alternativa. O futuro dependia daquele pedaço de papel e do maldito ônibus que desaparecera.
- Mas como pode um ônibus desaparecer neste trânsito?
- 100974. Era o número do ônibus. Conforme ultrapassava um a um olhava suas numerações ao lado da janela do motorista.
- 865430...765544...saco! Cadê você, meu amor?? Me ajude!?
- Ali! 100950. Isso é pior que acertar as cinco das seis dezenas da mega sena, pensou.
Esticando o pescoço e olhando ao longe viu o ônibus 100974 virando a esquina e saiu correndo já ofegante e sem fôlego. Foi quando se deu conta de que o sinal abriu para a pista contrária e um fluxo absurdo de veículos fez surgir um mar de carros multicoloridos sobre seus olhos. Algo intransponível... será?
Por um momento viu ela chorando enquanto acenava sua despedida.
- É agora ou nunca.
 Abrindo os braços foi sinalizando de forma a ser visto pelos condutores passando as raspelões e esbarrões de retrovisores uma a uma das seis pistas até o outro lado percebendo que as pessoas paradas ali no farol faziam platéia para a cena divididos entre os atônitos com as mãos na cabeça, os infartantes com a mão no peito e os estressados que xingavam ao mesmo tempo que abanavam as mãos em sinal de discórdia.
Cruzou pela calçada e pode ver o ônibus a cerca de um quarteirão de distância. Um longo quarteirão para ser bem sincero.
- E se o papel voou do ônibus? Não! Acho que não e o ônibus parecia orvalhado. E não posso estar tão azarado assim. Vai dar certo! Vou conseguir aquele papel e vou ainda hoje à sua procura.
Quando chegou próximo do ônibus e verificando o número como sendo o 100974 seu olhar, foi conduzido sorrateiramente ao para-brisa de um carro que vinha no sentido contrário conseguindo reconhecer apenas o amarelo envelhecido do papel do poema, seu companheiro triste dos últimos três dias. E uma segunda rajada de vento derrubou folhas secas do teto daquele ônibus sobre sua cabeça fazendo entender que estavam num cruzamento repleto de prédios que canalizavam o ar em rajadas de vento capazes de alegrar uma donzela.
- Um táxi? Não é possível! E agora?
E uma motocicleta freou bruscamente em sua frente a ponto de quase atropelá-lo.
- Aí? Você é louco? Vai para calçada, maluco?!
Mas o trajar do motoqueiro aliado ao capacete sentado no banco do passageiro era tudo que precisava naquele momento... um mototaxista, afinal.
- Não sou louco, sou passageiro. Siga aquele táxi, disse subindo rapidamente na moto e colocando o capacete.
Tentava não tirar o táxi de foco tendo que vez por outra apontar o novo rumo para o motoqueiro. Sentindo que ia perder o carro dos seus sonhos de vista, sacou da carteira uma nota de cinquenta reais e abanou-a na frente do motoqueiro apontando para o táxi e para o relógio do outro braço. Como diria o poeta: “para um bom entendedor um pingo é uma frase”.
A motocicleta deu um galope retornando uma marcha que arrepiou as esperanças no incauto Romeu. O trânsito estava rápido e o céu ameaçava uma chuva.
- Se cair um pingo ele liga o limpador e lá se vai meu poema, pensava o alcaide.
Aos poucos a moto foi conseguindo vencer o trânsito e quase no final daquela avenida, já perto de uma rotatória conseguia vislumbrar o carro que emparelhava com um caminhão de lixo bastando passar por entre ambos que alcançaria o poema.
Mas a tarefa que já se demonstrara pra lá de difícil, tomou outro rumo quando a primeira gota tocou o para-brisa do táxi fazendo o limpador jogar ao vento o amado poema que, sob um olhar deslumbrado do dono, passou a bailar de um para-brisa direto para traseira do caminhão de lixo se dando ao luxo de ficar com uma das pontas de fora como quem acena fazendo birra.
- Não acredito nisso!
Imediatamente, sinalizou para o motoqueiro no sentido de aproximar-se do caminhão. Todos em velocidade moderada, porém andando, davam à cena um risco inadequado mas impensado pelo apaixonado ragazzo que, achado-se desesperado demais para continuar simplesmente se joga da moto com as mãos esticadas na tentativa de pegar a alça utilizada pelos catadores...e com sucesso apesar dos raspões do sapato pelo asfalto, do breve escorregão e da salva batida de cabeça que o capacete habilmente evitou, devolvendo- o ao motoqueiro que riu sumindo em seguida.
Com a fúria de um Titã e completamente incapaz de qualquer outra peripécia agarrou o papel com a força necessária para alçar uma sacaria de sessenta quilos com apenas dois dedos.
- Venha aqui.
Só então percebeu que o caminhão estava parando, possivelmente achando tratar-se de um assalto. Na verdade olhando bem os olhos do motorista que assistia pelo retrovisor, certo seria um sequestro.
Sem tempo para discussões, fez sinal de desculpas com a palma da mão aberta e foi descendo antes da parada total. Não tinha tempo para discussões ou explicações.
Assim que o caminhão acelerou pôde perceber que estava num bairro residencial. Virou o papel ali mesmo na calçada e leu atentamente o endereço.
- “Rua cem, 974, Suíça”.
- Não acredito que corri tanto por nada. Ela foi embora para a Suíça. Agora sim é o fim. Jamais poderei revê-la novamente. Acabou...fim!
Suíça no Brasil. Tem gente que é besta mesmo. Porque colocar o nome de um bairro de Suíça?
Ah, sei lá. Acho chique. Quem não pode mudar para a Suíça, muda para cá que dá na mesma.
A ridícula conversa só não foi mais torpe porque anunciava que a Suíça poderia ser aquele bairro e não o país.
- Moço, o senhor sabe onde fica a rua cem? Perguntou o intrépido apaixonado.
- Acho que duas acima dessa na paralela. Respondeu o retardado.
- Claro que não. É três contando com essa. Retrucou o sonso.
E o esperançoso rapaz sorrateiramente caminhou até o endereço deixando as criaturas bestiais apreciando suas melancólicas existências.
- O que digo a ela?
- Será que o pai dela vai brigar comigo? Não dou a mínima. Nem vou reagir. Se achar melhor me bater, desde que me aceite, que assim seja. Não posso surrar o sogro, coitado.
- 972...974. É aqui!
- E agora? Bato na porta, grito, jogo uma pedrinha. Pedra não porque com a sorte que estou hoje é bem provável que quebre a janela e piore as coisas.
Tirou o poema do bolso e deu uma ultima olhada. Quando levantou os olhos decidido a tocar a campainha ela estava à sua frente. Linda...maravilhosamente linda. O vento que tanto jogou seu poema de uma lado para outro agora voava seus cabelos como que rindo da nossa pequenez ou, quem sabe, assentindo que a tarefa estava completa.
- Eu tinha certeza que viria, disse ela.
- Nem que fosse agarrado num caminhão de lixo!
- Como assim? Estranhou.
- Deixa para lá! Disse ele.
E abraçando sua amada olhou de lado, novamente para o infinito ... e piscou com um sorriso.
Ah!? Sobre o que aconteceu depois? Bom! Ele não apanhou do sogro porque, à essa altura, a sogra e a moça haviam dobrado a turrice do velho que passou a aceitá-lo parcialmente como era esperado.
Melhor assim!

domingo, 30 de janeiro de 2011

VAMOS DISCUTIR A BELO MONTE

Gostaria de discutir a futura usina Belo Monte que parece sair do papel diretamente para o coração da floresta confrontando pareceres de ambientalistas e pessoas técnicas ligadas ao meio ambiente.

Será que todo governo precisa ter um absurdo para deixar registrado sua marca? Porque isso  é que a Belo Monte nos parece - Um verdadeiro Absurdo! - Um disparate de gente que nunca teme a opinião pública por enriquecer sem preocupar-se com o meio ambiente ou com o resultado final dos próprios atos.

A região é plana, motivo pelo qual o alagamento será enorme. Muita vegetação terá que ser retirada. diversas aldeias desaparecerão. Habitats naturais de espécies em extinção serão suprimidas como se pisássemos num ovo extinguindo-lhe a possibilidade de continuar seu processo de vida.

Um País com tanto sol e tanto vento nas planícies costeiras; com tantas quedas d'agua na região montanhosa de minas; com fluxo de marés constantes e um litoral imenso jamais poderia aceitar a Belo Monte.

O nome até parece sugestivo se traduzido para:  Belo de beleza pela fortuna que alguns embolsarão e Monte se considerarmos o monte de problemas que advirão dessa obra e que serão irreversíveis.

Somos um povo passivo demais e por isso temos os governantes que merecemos.

Até quando, heim??

QUANDO O AMOR É MAIS FORTE QUE O MUNDO

Hoje vou falar sobre um livro.
Tá certo! Sei que grande parte das pessoas que lerão esta postagem não são adeptos da leitura de livros. Tudo bem ?! Confesso que também já fiz parte do clube da úlitma página. Isso mesmo. O clube das pessoas que ao pegar um livro, independente do tema, logo olham o número de páginas e refletem.
Livros com até 50 páginas...parecem legais, mas não leio.
Livros com até 150 páginas...parecem grandes, mas não compro.
Livros acima de 300 páginas...coisa de gente doida e alienada.
Pois esse também  já foi meu estatuto enquanto fazia parte desse clube, até que um dia tudo mudou.
Isso mesmo! Mudou exatamente no instante em que li o primeiro livro com o qual alcancei sentimentos deliciosos.
Infelizmente a cultura do "Livro Goela a Baixo", a que somos submetidos na infância, acaba por nos tornar reféns dessa situação.
Mas o que realmente queria falar hoje é sobre o último livro lido. Chama-se "A Sombra do Vendo" de Carlos Ruiz Zafon. Um livro que comprei por indicação e tentado pela inscrição de capa indicativa de 6,5 milhões de cópias ( pensei que algo de bom deveria ter para conseguir vender tanto).
O livro foi realmente esplêndido. No ano passado li uns 10 livros de autores diversos, mas sou obrigado a aceitar que este foi realmente de uma emoção nunca vista.
Pela primeira vez li um livro que me deixasse em estado de graça por 48 horas. Até a página 120 parece algo normal e corriqueiro, mas logo a seguir tudo começa  a fazer sentido percebendo- se o capricho na colocação dos eventos e no uso da língua. Lugares, sons e cheiros podem ser sentidos com facilidade. Literariamente falando, achei que o autor foi muito feliz no desenvolvimento da trama e ao finalizar do livro. Termina como deve terminar um romance..causando emoção ao leitor à medida em que rouba as lágrimas a que faz jus.

sábado, 29 de janeiro de 2011

DIREITOS HUMANOS....OU DOS MANOS?

Sabe. Esta semana lia uma matéria no jornal na qual a secretária nacional dos direitos humanos tentará aprovar uma lei criando mecanismos que extinguam de vez a violência e tortura nas unidades prisionais.
Acho a iniciativa até interessante. Contudo, ainda  não concordo com a forma e o foco dessas iniciativas. Prima-se por cadeias cada dia melhores, por um sistema que apenas guarde os presos confinados e longe da sociedade, por assistência médica, odontológica e tudo mais que seja para dar ao preso um conforto digno de chefe de estado.
Agora pergunto: CADÊ OS DIREITOS HUMANOS PARA AS VÍTIMAS??
Ao contrário do que acontece com os presos, às vítimas parece que esses mesmos direitos humanos não se aplicam. o trabalhor que foi lesado pela atitude criminosa não tem compensações pecuniárias para reaver a lesão que, diga-se de passagem, é responsabilidade constitucional do Estado. Como todos sabem o direito a segurança é constitucional e deveria ser levado em conta.
E a pessoa que perdera um ente querido numa atitude criminosa? Alguém vai procurá-la para verificar se precisa de ajuda ao criar os filhos? Se precisa de acompanhamento piscológico ao absorver os traumas? Evidente que não !!
Mesmo não sendo a favor de torturas ou qualquer tipo de violência contra detentos e acreditando que são seres humanos e, por isso, precisam ser tratados como tal, ainda acho que as posições estão em completo equívoco.
Jamais um preso poderia receber um tratamento de luxo, como acontece hoje nos presídios paulistas, sem que antes as vítimas conseguissem ser amparadas pelo Estado de forma respeitosa e eficiente ou vou passar a acreditar que continuaremos a alimentar a cobra  que nos picou ao invés de socorrer e tratar as feridas causadas pela picada.
Invertendo as posíções deixamos de caminhar em direção a um País melhor, tratando bem aqueles que não servem para o convívio social em detrimento de quem produz e faz o País crescer, ou seja, suas vítimas.
Enquanto assim o for, no Brasil os Direitos Humanos ainda será entendido como DIREITO DOS MANOS.  

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

POESIA - O MAIOR AMOR QUE VIVI



O maior amor que já senti.
Essa é a sensação que sempre guardei comigo
desde o dia em que te vi.

A vida
A dor
A tristeza
O temor

Todos foram sentimentos que me enforcavam em dor
Causavam em mim agudo destemor.

Decidi seguir em frente
Enfrentar o mundo
A família e o vulto
Tudo pela gente.

Quis gritar quando chorei
Quis viajar quando vibrei

Percebi que o tempo era nosso único aliado
Que a palpitação dos dias teria sim
Que atravessar calado.

Mas o amor foi meu maior aliado, e vi
Que estando você aqui ou aí
Sempre estaremos juntos
Porque o amor não se cala
A vida leva
Mas a doença nunca mata.

Sou o seu maior sentimento
Digo a você a sinceridade do que guardo por dentro
E assim viveremos juntos
Eternos hoje . . . e até o findar dos tempos.


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

OLHAR DE DENTRO I I



Olho seus olhos e vejo um coração atingido.
De dentro alguém perdido . . . um coração traído.
Somos um, ou nenhum a procurar algum.
Quem temos não vemos e se vemos não podemos.

Há uma vida inteira para buscar um ao outro
E mesmo assim não vemos . . .não temos.
Cegos da Vida, mudos do coração.
Aliança perdida na devassidão.

Deixamos de sonhar . . .
Deixamos de buscar a alternativa . . .
Deixamos de procurar a Vida . . .

Horizontes distantes de um mundo que não nos pertence.
Sol e lua de um dia que já se fez ausente.
Duas metades do mesmo coração
Junção de ilusão e paixão.

Voltemos a nós e procuremos o início
Contemos a história a partir do meio
Nunca narremos o poema até o final do enredo.

Lá fundo encontraremos medo, por vezes desespero.
Mas o Amor supera tudo
Pois existe para resgatar amantes
E sentimentos conflitantes.

O pai da esperança é o tempo
Que leva com o vento os dissabores da Vida.
O mesmo vento que com o tempo acaricia o amante
Faz lembrar que o mundo é um caminhar errante
E a Vida um enamorar constante.

A saída está em mim . . . em Ti.
Olhemos nos olhos e alcancemos o fundo da alma.
Busquemos no infinito o caminho que levará ao encontro
O encontro das metades do mesmo coração
Que um dia pulsou solene
No Amor ardente de uma infinita paixão.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

SELECIONADO PARA O LIVRO CONTOS DA MEIA-NOITE

Conto de Luciano Esposto selecionado para compor o livro:



                                                             O SOL NÃO APARECEU


Acordei, como de costume, ao som da melodia que marcou minha vida. Eram oito da manhã segundo meu celular.
Abri a porta e fui para a sacada na tentativa de respirar o ar da manhã daquele inverno ainda lento, mas tudo parecia estranho. O sol não estava lá !
Um fianco de raciocínio me fez acreditar que o céu poderia estar nublado; mas, olhando fixamente, vi constelações e satélites brilhando como nunca, ainda que não visse a lua.
O raciocínio e a sensatez cobravam meu bom-senso ávido por respostas coerentes e resolvi sair à rua. Sem rumo caminhei silente percebendo o desespero das pessoas. Na padaria da esquina, um público cativo lotava o balcão próximo da TV onde nem os “experts” da meteorologia e física quântica conseguiam dar uma explicação que ao menos tranquilizasse a população. O dia tinha virado noite e isso era fato !
Olhei o celular quando o bip marcou dez horas e a noite ainda estava lá. Continuei minha caminhada e, por onde passava, sentia a angústia consumindo as pessoas. Templos, igrejas, casas de oração, todos repletos com seus pecadores na busca de redenção rápida, talvez acreditando tratar-se de Apocalipse.
O comércio estava uma balbúrdia. As poucas lojas que abriram logo fecharam com receio de saques, arrastões e todo tipo de violência que começava a dar anúncio de acontecer. Algumas, porém, nem abriram; talvez porque aos donos faria pouca ou nenhuma diferença o lucro.
Sentei-me na mureta do outro lado da avenida. Apesar do completo caos, da correria e do ar de final dos tempos; não queria me contaminar com aquilo ou, ao menos, pretendia apenas ficar lúcido.
Olhei novamente o celular que já marcava treze horas. A essa altura a fome dera lugar à ansiedade. Ninguém sabia o que viria a seguir. Olhei o céu e, novamente, as estrelas estavam lá... brilhando como nunca. Por um momento senti como se estivéssemos numa noite de verão após a costumeira e temperada chuva que acalenta o calor. Estou perdendo os sentidos, eu acho! Não posso entrar em confusão mental apesar da sensação de cabeça pesada como se ganhasse uma gripe.
A essa altura a dúvida deu lugar ao desespero coletivo. Pessoas corriam em fluxo constante de um lado a outro em grupos fazendo lembrar a dança de rubros flamingos.
Enquanto assistia a tudo aquilo, fiquei pensando a quem atribuir a culpa de tal absurda de coisa. Seria a tão anunciada “guerra nas estrelas” com suas bombas atômicas a se digladiarem com os foguetes anti bomba americanos a desinformação de todos? Não ! Improvável em tempos de paz.
Talvez um teste malsucedido no espaço, mas isso seria capaz de causar tamanho cataclismo? Bobagem ! Devaneio e só!
Um novo bip do celular indicava dezessete horas. Horário do meu dentista. Mas, pensando bem, sorrir para quê? Para quem? Por quê? Diante dos acontecimentos sorrir não seria uma solução. Decidi não ir e resolvi voltar ao apartamento, pois o centro passou a tornar-se perigoso. Brigas e violências de todos os tipos já se via propagando pelas esquinas e ruas simultaneamente.
No caminho fazia um paralelo entre Deus e no homem. Seria isso tudo um sinal? Um prelúdio do resultado de nossos próprios males? Do nosso pecado ou daquilo que queira dar o nome?
Subia pelo elevador, que ainda funcionava, enquanto algumas certezas começavam a permear meus pensamentos.
O homem tem sido hipócrita consigo mesmo atirando no próprio pé com atitudes equivocadas, praticadas por alguns em detrimento da maioria, como se alguém conseguisse viver sozinho no mundo. O lucro a qualquer preço ficou entrincheirado na certeza de só valer a pena se tivermos para quem vender ou com quem compartilhar nossos produtos... nossas vidas.
A natureza teria vindo cobrar sua fatura a mando do próprio Criador que passivo, bondoso e infinitamente paciente teria dado mais que o tempo necessário para nos redimirmos? Talvez essa fosse a única coisa fazendo sentido nisso tudo.
Apanhei um copo de leite e um pedaço de pão e fui comer no sofá. Agora o relógio do aparelho de DVD marcava vinte horas. Ao menos nesta hora o céu começou a fazer um pouco de sentido. Estava escuro como de costume, mas não arrisquei ligar a TV e abri a porta da sacada. Queria sentir o da noite como ela tem que ser. Uma brisa fresca me acompanhava com os olhos. A rua parecia mais calma como se as pessoas estivessem querendo acreditar que tudo não passara de um mal-entendido absurdo, um pesadelo, talvez.
Sentei novamente no sofá onde vi uma enorme estrela de brilho intenso e adormeci.
O brilho da estrela começou a incomodar meus olhos. Sua intensidade aumentava a cada instante. Foi quando acordei com os primeiros raios de sol a me lamber a face.
Olhei de soslaio e percebi que havia adormecido. Teria tudo não passado de um sonho? Levantei e peguei o celular para ver a data. Não! Não foi um sonho!
E o mundo pela primeira vez percebeu sua insignificância tendo seu primeiro dia sem sol.
Recado de Deus? . . . Talvez!
A única certeza que tinha era que a culpa não fora só minha.



http://www.camarabrasileira.com/contosdameianoite.htm
   

O DIA EM QUE O SOL AMARELOU

Nesta semana vivenciei um fato inusitado. Já passavam das dezoito e trinta e o dia se ia lentamente como é costume das tardes de verão.
Em dado momento o translúcido do céu começou a mudar de tom indo parar num amarelo alaranjado.
Confesso que naquele instante fiquei até preocupado. Nunca antes havia presenciado fato semelhante. Como bom brasileiro, fui averiguar se não seria o final dos tempos. Foi quando tive a grata surpresa de presenciar o sol descendo por detrás de uma nuvem que tinha sua base densa e escura raleando até um branco, passando pelas cores laranja e amarelo -claro, motivo da tonalização do ambiente.
Simplesmente indescritível !!
Ao passo que assistia deslumbrado logo fui a refletir sobre a grandiosidade de Deus frente à pequenez do homem.
De que adianta a arrogância dos homens em seus gabinetes ou salas gigantescas de multinacionais que compram tudo acima e abaixo da terra como se dela pudessem tomar posse ? Meros hipócritas !
Um bom exemplo disso são as chuvas que assolaram o Estado do Rio de Janeiro recentemente. O homem sequer consegue se livrar da força das águas, algo tão previsível e dona da única regra a ser respeitada – me deixem passar!
As catástrofes assolam de forma direta ou indireta todas as pessoas e empresas envolvidas no processo. Será que isso não seria mais que suficiente para dar ao homem o uso da capacidade de raciocínio que o próprio Criador lhe deu?
Talvez o raciocínio, sozinho, não seja suficiente para se alcançar o discernimento a cerca das obviedades da vida.
Talvez seja necessário ao homem juntar outras capacidades dadas pelo Criador e que devem sempre ser movidas em conjunto como:

“Amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura e autodomínio” (Gálatas 5:22). (Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas – Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados – 1992)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

MEUS INDICADOS SELO SUPER BLOG


Acho que compartilhar um selo é algo como dizer que admiramos alguém por sua opinião e conduta nas palavras. Seria como abraçar alguém que admiramos dizendo: "olha, admiro seu caráter e sua conduta porque ambos se alinham com a minha."
Dessa forma, carinhosamente envio este selo a pessoas que ainda não indiquei em outras oportunidades mas que penso sejam merecedoras do carinho e respeito.
Este aqui é um selo muito especial,  foi criado por Arthur Oliveira para homenagear os blogueiros que acompanharam e comentaram no blog neste ano de 2010!

Meus indicados são:

Cacau http://meussonhosecontos.blogspot.com 
Juci Dias http://animaquarios.blogspot.com
Profa Isma http://ismaelitanasc.blogspot.com/
Alfeu  http://www.dinheirovivoagora.blogspot.com/


Ainda faltam blogueiros muito queridos que abraçaremos em outras oportunidades.Aguardem.

domingo, 16 de janeiro de 2011

POEMA - RAPIDAMENTE

Rapidamente...
Tenho que lhe dizer da minha pressa
Da vontade de falar sem tempo
De explicar correndo
Aquilo que lhe convença

Rapidamente...
Preciso lhe implorar que espere
Porque estou de saída
Não posso explicar tudo
Digo apenas. . . persevere e me espere

Rapidamente...
Gostaria que concordasse com tudo
Mesmo sendo o assunto abrupto
Pois não temos tempo a perder

Rapidamente...
Peço que confie em tudo que digo
Levo muito de ti em mim
Viver sem você . . . não consigo

Rapidamente...
Beije-me. O futuro presente se faz
E se foi . . . veloz e audaz

Rapidamente...
Guarde esta carta contigo
Nela existem palavras que dizer não consigo...
... e me beije. . .

Lentamente desejo que pense
Que apesar de ausente
Ao seu lado estarei
Hoje . . . e para sempre . . .

A D E U S !

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Rio sob Catástrofe

Destruição e grandes difculdades causada por catástrofes naturais não acontecem somente no Brasil, são  realidade em várias partes do mundo.
A enchente, por exemplo, não escolhe país e vem acontecendo até em lugares do primeiro mundo nos quais o primor por obras de prevenção são marca registrada.
A grande difereça é acompanhar o que acontece depois da enchente. Enquanto lá o Estado marca presença sem a necessidade de campanhas urgentes provendo tudo que seja necessário com presteza e eficiência, aqui temos que conviver com pessoas chorando a morte de entes queridos ao mesmo tempo que fazem vigília em casas alagadas para conter saques. Falta água potável e até comida, contudo, às autoridades parece que tudo não passa de um filme de terror.
Gente! Pessoas estão morrendo?!.
O número de mortos já passa de 550.
Existe um velório feito na quadra de uma escola de samba com 102 caixões simultaneamente.
Um carreta frigorífica está fazendo as vezes de depósito de corpos para o IML.
Será que ainda não somos capazes de nos estruturar para atender emergências de forma eficiente?
Lembro que não estamos falando de um lugar de difícil acesso ou região de floresta. É Rio de Janeiro !
Desculpem o desabafo mas se vamos sediar uma copa está na hora de arregaçar as mangas de fazermos muito mais do que vem sendo feito.

POEMA PARA CACAU

As chuvas recentes no Rio de Janeiro e região vitimaram centenas de pessoas. Dentre as vítimas estava uma família inteira - a família da minha amiga Dihittiana "Cláudia(cacau)".
Posto aqui um poema feito e dedicato inteiramente a esta pessoa querida e tão atenciosa que sempre nos motiva com seus comentários.
Abraço grande a Vc Claudia e muita força.



DOR DE CACAU

Quando o acordar de um novo dia

parecer mais escuro que a própria noite,
abre os olhos e olhe o infinito,
pois lá encontrarás dias de esperança.

Quando um sorriso amigo não consola,
abraça apertado e chora,
pois as lágrimas limpam a alma

Quando o luto da morte
for a ti maior dos que suportes,
doa ele a Deus
e em seus braços se conforte

Quando chorar não for mais possível,
pois lágrimas não existem mais;
chora por dentro em silêncio,
e deixa que o invisível lave seus sentimentos

Busca a força na vivacidade e alegria
Nas lembranças e sonhos,
Naquilo que o futuro jamais poderá apagar

Participaste da vida deles,
Viveste a vida com eles:
Sonhos, sorrisos, alegrias,
Gestos de plácido carinho

Ainda que hoje não os tenha
e o mundo possa lhe parecer injusto;
A semente ficará contigo,
POIS O AMOR QUE A REGOU
A FARÁ GERMINAR PARA SEMPRE !

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

R E B E C A

Cabelos na chuva morna
que o vento não balança
Estão encharcados
d’um amor que transborda

A menina corre e brinca
Em frenesi de “Astaire”
Como se a chuva fosse
sua única amiga

Jovem de mocidade ímpar
e meninice estancada
Por uma juventude plácida
deu-se a amar

Nada será como antes
O mundo nunca mais será o mesmo
O nascer do dia não será mais azul
transformou-se em rosa
E os lindos olhos de Rebeca
roubaram o azul dos astros

Nada de maldade
Nada de perversidade
Buracos negros não existem

O infinito não pertence a ninguém
mas é do tamanho do seu Amor...
...do nosso Amor.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ESPERANÇA

Esperança.
Falada e cantada, recitada ou desenhada, todos já nos ocupamos dela algum dia.
Mas não venho hoje falar da esperança poética ou daquela desenhada em contos de fada. Decidi escrever para aqueles que sofrem com sua falta.
É certo e faço fila com os que afirmam que a vida não é um sonho e todos devemos arregaçar as mangas e trabalhar se pretendermos conseguir alcançar nossos objetivos.
Por outro lado, devemos planejar seus acontecimentos mentalizando o resultado para que aconteça. Abro um parênteses para citar um livro delicioso neste aspecto - O SEGREDO, de Rhonda Byrne -  que fixa bem a idéia e a necessidade de cumprirmos certos rituais no afã de alcançarmos nossos desejos. Talvez a palavra "rituais" seja um pouco forte demais , mas vou explicar: A mente humana precisa mentalizar o que desejamos e esperar que o desejo se concretize. Dentro deste prisma, o processo seria, "desejar, se ver tendo/possuindo, felicitar com o desfrute da coisa e se alegrar como o prazer proporcionado". Segundo os vários depoimentos do livro isso cria uma trajetória que o levará a alcançar o pretendido.
Acreditar ou não nesta força é motivação individual. Em particular, acho tudo isso sinônimo do chamado "pensamento positivo" que já nos ensinava minha avó "noutros" tempos.
O certo é que a esperança mora aí por perto, entre a vontade humana e a espectativa que algo aconteça. O que não se pode confundir é esperança com ansiedade pois esta, sim, é prelúdio do stress, a doença do século, mãe de toda sorte de moléstia grave, já provado cientificamente.

Esperança é viver a vida com suavidade mas com vontade que coisas boas aconteçam; que nossa vida possa ser mais satisfatória; que os dias possam ser melhores; que ao acordar possamos sempre receber um beijo de bom dia para não esquecermos o da boa noite.

Esperança é acreditar que nascemos para vencer e ter boas coisas para fazer a outros ou tão somente àqueles que amamos e respeitamos.

Esperança é acreditar sem ânsia que podemos ter e fazer tudo aquilo que desejamos sem perder de foco sobre a necessidade de trabalharmos para alcançarmos nossos objetivos.

Esperança é conseguir dobrar aquele chefe que lhe persegue ou aquela paixão não correspondida apenas com gestos do bem, sem devolver em troca hostilidade, ofensas e palavras que magoam.

Esperança é dar a esmola ao pedinte sentado ali na frente do seu local de trabalho e que acorda mais cedo que você tendo a certeza que isso o tirará dali para uma vida melhor, sendo seu sumisso prenúncio que aconteceu.

Esperança é estar ocupado, atormentado de serviço e mesmo assim sentir o coração bater tocando a porta da sua alma apenas para lembra-lo da pessoas amada e que isso aconteceu porque o outro também deveria estar pensando em você, afinal o amor transcede tudo.

Esperança é acreditar em si, sabendo que o mundo será tão melhor quanto você queria que o seja porque VOCÊ, sim . . .  FAZ A DIFERENÇA.

Bom dia!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

POESIA - VOZES


Vozes são sons que não apagam
os sofrimentos d’um coração amargo
É distância pura de alegria nua
num andar solitário
em nossas próprias ruas.

Meu coração, por natureza,
é ouvinte de alegria
Por vez, porém,
trovador da despedida.

Cantar e tocar
são como olhar e chorar
Juntas não se querem
Sozinhas não se largam

A rouquidão do choro
O sonoro daquele assopro
São sons que movem minha lembrança
Minha esperança

A infância pode não ser o melhor momento
para se amar com volúpia
Mas, certamente, será o celeiro
de nossas melhores lembranças

O canto que ouço hoje
não ronca como outrora
Mas esmaga e esfola
tal qual o fez no primeiro encanto
No primeiro beijo
Sentimentando !

Ainda ouço vozes
Ainda toco. . . e choro

Olho sua foto como quem viaja no tempo
Volto ao passado que nunca se foi

Vejo a mesma cena
- o erro ! –

 Queria um novo instante dentro do velho tempo
Mudar o “não” fazendo o “sim” dar novo destino a tudo

Talvez hoje sua falta não seriam as vozes
que me atormentam a face
a me trazer o choro... o canto

Talvez . . .